A criança fecha os olhos com as mãos e declara “não estou”. Abre depois as mãos e os olhos dizendo “estou aqui”. Numa outra brincadeira enrola um papel e com essa luneta caminha enquadrando tudo em pequenos círculos. Para onde aponta o instrumento cria o que passa a existir diante de si.  A criança cresce.  

A mulher imita o gesto de estar diante do que vê. Busca um outro que deseja testemunhar e que em troca a veja também. A mulher fotografa.  

A proximidade, as superfícies e os seres, a intimidade com a criança que não pretende saber e ensina a ser testemunha, abre passagem para um fora que se dobra para dentro. O seu olhar é verde remonta o acontecimento que é estar na cozinha, abrir o pão e ali dentro acenar da superfície para o eu do profundo.


   * A série foi desenvolvida entre os anos de 2021 e 2022.